Câmara do Eco

Na câmara do eco arrasto minhas correntes.
No quarto árido, de paredes duras, permaneço.
Ali premedito.

Não há distrações.
Não há desvio.
Não há fuga.

Tudo o que emito retorna.
A palavra retorna.
O julgamento retorna.
A intenção retorna.
O testemunho retorna.

Cada som bate na secura das pedras
e volta para dentro de mim
como se o espaço guardasse memória.

Nada se perde.
Tudo revela o que foi gerado.
Tudo torna o sutil perceptível.
Tudo devolve o que já existia em mim.

Neste deserto não há pureza inteira
nem ruína inteira.
Há duas faces respirando em mim.

Revivo as experiências.
Escuto vozes que não cessam.
Elas se acumulam nos cantos, nas frestas, no ar imóvel.
Ecoam sem nunca parar.
Sem nunca parar.