Minha relação com o Tarot não nasceu da prática tradicional de leitura com terceiros, mas de um encontro pessoal com o símbolo que representa. Utilizo as cartas como um instrumento de reflexão e aprofundamento interior.
Quando uma carta é revelada, ela funciona como um espelho simbólico. A imagem provoca reflexão, desperta associações e ilumina aspectos internos que muitas vezes já estavam presentes, mas ainda não haviam sido percebidos com clareza.
Assim, o Tarot pode ser contemplado como um instrumento de meditação, uma ferramenta de autoconhecimento e também, em determinados momentos, um meio de orientação intuitiva. Quando nos aproximamos dele com silêncio interior e intenção clara, as cartas muitas vezes revelam direções surpreendentemente precisas, não como imposições do destino, mas como possibilidades que emergem do encontro entre símbolo e consciência.
Uma única carta pode conter: a causa, a situação, o resultado, ou seja, a carta é como uma chave de contemplação, um oráculo psicológico e espiritual.
Minha prática parte do princípio de que as cartas não “criam” o destino nem determinam acontecimentos. Elas revelam padrões, movimentos e tensões presentes no momento em que a pergunta é feita. Torna visível aquilo que muitas vezes já está se formando no interior da experiência humana.
Por isso, a pergunta é sempre o ponto de partida. Uma pergunta verdadeira abre um campo fértil. A carta que surge nesse contexto não é apenas um símbolo isolado, mas uma imagem que dialoga diretamente com o estado psíquico e espiritual de quem a consulta.
Nesse processo, não busco interpretações rígidas ou receitas universais. Cada carta contém um arquétipo, e cada arquétipo possui múltiplas camadas de significado. A leitura surge da contemplação da imagem, da relação entre os símbolos e do momento vivido.
Em alguns momentos, essa prática conduz a reflexões profundas. Em outros, oferece direcionamentos práticos surpreendentemente precisos, como uma leitura sensível das forças que estão em movimento.