O perfume revela-se na fumaça que ascende e na essência extraída dos óleos. Pela queima ritual de plantas e resinas inscreve-se nas orações, nas oferendas, nos rituais funerários e da comunicação com o invisível.
Eleva-se.
Entrega mensagens.
Equilibra.
O aroma envolve e transmuta estados da alma. Faz sentir. Ilumina a mente. Induz o sonho. Penetra os liminares da percepção. Absorve as densidades. Sorve o que pesa.
Enquanto purifica, tece no ar uma atmosfera sensorial e sagrada.
E, por isso, está aqui.
Os perfumes são emanações de frequências.
Mais do que aromas, são elementos de transição entre o visível e o invisível, capazes de tornar sensível aquilo que pertence ao espírito. A mirra é a substância da transfiguração.

Algumas obras trabalham com símbolos, imagens e metáforas.
Elas não se esgotam na leitura literal.
Com o tempo, novos significados podem surgir.

Palo Santo significa madeira sagrada.
Não nasce do corte, mas da queda.
A árvore precisa morrer naturalmente e permanecer anos no solo até que seus óleos despertem.
É da decomposição que vem o perfume.
Por isso seu campo não é da elevação imediata. É o da travessia.
